
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal (PF) abra uma investigação oficial para apurar indícios de ajuda financeira ilegal, manipulação digital e desinformação vindas do exterior em benefício da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), derrotada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo. A decisão foi tomada em uma ação no STF que trata da defesa da soberania nacional.
Por que a ajuda estrangeira é proibida?
A lei brasileira proíbe expressamente que candidatos ou partidos políticos recebam dinheiro, doações ou qualquer tipo de vantagem econômica vinda de governos, empresas ou entidades de fora do país. Essa regra existe para garantir que apenas o eleitor brasileiro defina os rumos da política nacional, sem pressões ou interferências externas.
Na decisão, o ministro destacou que regras semelhantes vigoram inclusive na legislação dos Estados Unidos, onde é vedado o uso de recursos estrangeiros para influenciar disputas eleitorais.
Os 5 pontos centrais que levantaram suspeitas
A decisão reúne denúncias, pareceres de órgãos oficiais e reportagens investigativas que justificaram a abertura da investigação criminal pela Polícia Federal:
Alertas de Inteligência e dos órgãos de fiscalização
A decisão apoia-se também em alertas emitidos pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e pela Organização dos Estados Americanos (OEA). O relatório da ABIN sinalizou que grupos estrangeiros poderiam atuar no processo eleitoral brasileiro por meio de financiamento oculto e campanhas digitais de desestabilização. Além disso, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) confirmou que a empresa Meta descumpriu ordens da Justiça quanto à transparência de seus algoritmos.
O que acontece agora?
A Polícia Federal terá que conduzir o inquérito policial sob supervisão direta do STF, identificando quem pagou pelas campanhas no exterior, a origem dos dinheiros e se houve crime de intermediação ilícita. Além disso, o ministro enviou o caso para avaliação de órgãos estratégicos do governo, como o Ministério da Justiça, o Banco Central, a Receita Federal, o Coaf e a Abin.